8.20.2005

Amigos do cavalo


Aos amigos do cavalo,
Um conselho eu quero dar,
Pois é preciso ter galo
Para tal amigo arranjar.

Começam por brincadeira,
Pensando passar ilesos.
Mas ele agarra à maneira,
Sem darem por isso estão presos.

Começa a degradação,
A física e a moral.
Em nada vêem razão,
Para combater esse mal.

Depois disso, o tal amigo
Das curtes e do prazer,
Começa a mostrar o perigo
Em que se foram meter.

Já nada os satifaz.
Nem família nem amigos.
E por falta dessa paz,
Logo aparecem mais perigos.

Esse amigo traz amigos
Com uma amizade tal,
Que nem mesmo inimigos
Lhe fariam tanto mal.

São picos atrás de picos,
E mais um para dormir,
Que os transformam em detritos,
Mas as dores não vão sentir...

E assim, dia após dia,
Correndo atrás do cavalo,
Lá vão perdendo alegria,
Lá vão aumentando o calo.

Até que um dia fatal,
Por terem de aumentar a dose,
Esse cavalo mortal
Lhes provoca a overdose

O cavalo é um bandido
Que corre pelas veias
De quem, sem pensar no perigo,
Se atreveu nas suas teias.
Joca (1995)

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