Numa estrada com quinhentos metros
Estavam quinhentos mortos com os olhos abertos
A Morte colheu-os aos molhos
E nem tiveram tempo de fechar os olhos
São coisas que se vão dizendo, pensando bem ou não. Mas de qualquer modo podem-se sempre dizer. (podem e devem comentar, se fazem favor)
8.13.2005
A Monte
Nos sítios e locais
Onde não deves ir,
Há produtos banais
Prontos a consumir
Revistas e jornais
Que ninguém quer ler ,
Discursos ideais
Que ninguém quer ouvir.
É o Reino do vazio
Que nada tem p'ra dar,
É o vento que assobia
Sem vontande de parar.
E tu olhas a merda
Contente e a sorrir,
Enquanto eu olho o espaço
Com ânsia de fugir...
Eu olho o espaço
Com ânsia de fugir.
Eu só tenho o céu como horizonte.
Estou fugido, ando a monte...
Os homens que não choram
Anseiam por gritar
E os homens que não gritam
Anseiam por berrar.
São estranhos os palhaços
Que riem sem mostrar.
Não saias do teu número
Não caias do altar.
Onde não deves ir,
Há produtos banais
Prontos a consumir
Revistas e jornais
Que ninguém quer ler ,
Discursos ideais
Que ninguém quer ouvir.
É o Reino do vazio
Que nada tem p'ra dar,
É o vento que assobia
Sem vontande de parar.
E tu olhas a merda
Contente e a sorrir,
Enquanto eu olho o espaço
Com ânsia de fugir...
Eu olho o espaço
Com ânsia de fugir.
Eu só tenho o céu como horizonte.
Estou fugido, ando a monte...
Os homens que não choram
Anseiam por gritar
E os homens que não gritam
Anseiam por berrar.
São estranhos os palhaços
Que riem sem mostrar.
Não saias do teu número
Não caias do altar.
Não olhes para o lado,
Não saias do lugar,
"Senhoras e Senhores:
O show vai começar"
E enquanto o pano desce
E o aplauso está a subir,
Eu olho para o espaço
Com ânsia de fugir.
Eu olho o espaço
Com ânsia de fugir...
Eu só tenho o céu como horizonte.
Estou fugido, ando a monte...
Febre Ébria - 1991
Não saias do lugar,
"Senhoras e Senhores:
O show vai começar"
E enquanto o pano desce
E o aplauso está a subir,
Eu olho para o espaço
Com ânsia de fugir.
Eu olho o espaço
Com ânsia de fugir...
Eu só tenho o céu como horizonte.
Estou fugido, ando a monte...
Febre Ébria - 1991
A Coisa do Dia
8.12.2005
Os Nuclíadas (1988)

Ás armas e aos barões assassinados,
Que pela costa Lusitana passaram,
Lixo e entulho p'ra trás deixaram
Naquela taprobana destes anos.
Por guerras nucleares esforçados,
Mais do que se vê na televisão,
Muitos mais morrer ainda irão,
Com uma série de botões carregados.
Ainda mais há p'ra dizer
Acerca deste mundo ao relento.
Há p'ra aí gente de talento,
O que não querem é dizer.
Cessem, ò Russo, ò Americano
As conversações grandes que fizeram.
Destruir vidas não queiram,
Pois eu a minha ainda amo.
Fome e guerra devastadoras
Irão assombrar esta esfera.
Pois este mundo não espera
E o relógio marca as horas...
Ò triste sorte a nossa,
Onde iremos nós parar?
Eu temo que por este andar
Iremos todos para a fossa...
Joca - 1988
A Minha Casa - Os Mortos Também Falam (1990)

A minha casa é de pedra mármore e floreados.
Só tem cave.
Mas o telhado é o mais admirável.
Existem flores, muitas flores.
Existem vizinhos, muitos vizinhos.
Não são nada barulhentos.
Os caminhos são estreitos e a minha casa também.
Nem imaginas...
Tantas são as árvores que nos rodeiam...
Fico enervado com as visitas. Trazem flores e vão tristes à minha casa.
Estou só e preciso de alegria, de conversar.
Mas elas não compreendem e vão lá para chorar...
Acordem meus porcos!!! Dizem-se humanos e racionais?
Conversem e não briguem!!
São uns homens nojentos, falsos e imundos.
Só gostam dos meninos da moda, dos duros e dos ricos...
E tantos existem por aí que, por não o serem, são homens a sério!!!
E que se deram bem comigo.
Agora espero que lutes por um mundo melhor.
E que tenhas os pés bem assentes na terra, porque eu já não os tenho!!
Vem visitar-me...
Joca - 1990
A Fonte de Morpheu

Visto que ninguém adivinhou eu digo: este poema é de Florbela Espanca (Poetisa: 1894 – 1930). Este poema foi musicado pelos Febre Ébria, banda a quem pertenci, do género underground. se quiserem ouvir a música mande-me um mail. Vale a pena ouvir. É declamação apenas, bem ao estilo de Florbela...
Ó Noite porque não vens,
E não me embalas no teu regaço?
Queres que te veja nada e morta
E não beba o mel que tu conténs?
É então que Morpheu, por fim, vence
E pelo cansaço se aproxima
É o turpor que em mim se instala
E a razão já não convence.
Agora já só o Sono dita.
Só Ele cogita e conjura
E faz da sua Ditadura
Fonte que jorra infinita
Fonte de mel, apetecida
Que quer furtar a realidade
No seu regato há crueldade
Por não dizer se é dela a Vida.
Ó Noite porque não vens,
E não me embalas no teu regaço?
Queres que te veja nada e morta
E não beba o mel que tu conténs?
É então que Morpheu, por fim, vence
E pelo cansaço se aproxima
É o turpor que em mim se instala
E a razão já não convence.
Agora já só o Sono dita.
Só Ele cogita e conjura
E faz da sua Ditadura
Fonte que jorra infinita
Fonte de mel, apetecida
Que quer furtar a realidade
No seu regato há crueldade
Por não dizer se é dela a Vida.
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