8.13.2005

A Monte

Nos sítios e locais
Onde não deves ir,
Há produtos banais
Prontos a consumir
Revistas e jornais
Que ninguém quer ler ,
Discursos ideais
Que ninguém quer ouvir.

É o Reino do vazio
Que nada tem p'ra dar,
É o vento que assobia
Sem vontande de parar.
E tu olhas a merda
Contente e a sorrir,
Enquanto eu olho o espaço
Com ânsia de fugir...

Eu olho o espaço
Com ânsia de fugir.

Eu só tenho o céu como horizonte.
Estou fugido, ando a monte...

Os homens que não choram
Anseiam por gritar
E os homens que não gritam
Anseiam por berrar.
São estranhos os palhaços
Que riem sem mostrar.
Não saias do teu número
Não caias do altar.
Não olhes para o lado,
Não saias do lugar,
"Senhoras e Senhores:
O show vai começar"
E enquanto o pano desce
E o aplauso está a subir,
Eu olho para o espaço
Com ânsia de fugir.

Eu olho o espaço
Com ânsia de fugir...

Eu só tenho o céu como horizonte.
Estou fugido, ando a monte...


Febre Ébria - 1991

1 comentário:

Anónimo disse...

ISso é verdade temos que dar com martelo causando tragédias por vezes como a A-bomb, mas o que vai acontecer em Portugal com as forças de segurança e as forças armadas é esse bater do martelo.
E o teu poema esta uma verdadeira jóia