11.21.2005

Última Lembrança

Nada ficou de ti, nem mesmo um beijo,
nem da mais terna tarde, os carinhos,
as nossas sombras já não se repetem:
não são lembradas por velhos caminhos.

Aceno e rio, mexo com as folhas,
penso em viagens, canto, fantasio;
atrás de mim meu rasto torto segue,
sem nem notar o teu rasto vazio.

A brisa canta, assanha meus cabelos,
e o sol doura as bordas dos abrigos,
sigo os mesmos pássaros pelo ouvido,
sem nem lembrar que foi assim contigo.

Mas, se nesses caminhos eu te visse,
eu lembraria todo o amor perdido.
Quantas palavras presas te diria,
tendo meus olhos tão entristecidos...

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